
A poeira do tempo
O começo de tudo era o pó:
Rastros de cinzas no ar
Pegadas de carvão no horizonte
Desenhos de fumaça moldando o espaço
E a batuta de Deus ditando o compasso
De um resto de tempo
Incessante a passar...
E o meio de tudo ainda é o pó:
O pó da bagunça dos móveis
Dos rastilhos de pólvora
Revólveres!
O pó-de-arroz no rosto da menina
Nas construções de cimento
No refino da cocaína
Nos entulhos da cidade
A se deteriorar...
E o fim disso tudo, amigos,
No fim de tudo o destino:
Tudo o que é vivo
Se desmanchará em pó!
E assim se cumprirá a velha profecia:
Aquilo que do pó fora erguido
Ao pó fatalmente irá retornar...

Tudo que é sólido, é pó.
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